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Economia3 min de leitura

Juros acima de 5% nos títulos dos EUA encarecem o dinheiro para o Brasil

O Treasury de 10 anos chegou a 5,24% e o de 30 anos a 5,60%. Entenda por que isso encarece o financiamento de governo e empresas brasileiros.

Por Redação eua.journal

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A entrada do Departamento do Tesouro dos EUA, em Washington, que emite os Treasuries.
A entrada do Departamento do Tesouro dos EUA, em Washington, que emite os Treasuries.Foto: G. Edward Johnson, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, estão pagando mais de 5% ao ano em dólares, e isso encarece o dinheiro para governo e empresas do Brasil, segundo o NeoFeed. O Treasury de dez anos estava em 5,24% em 9 de outubro, e o de 30 anos, em 5,60%, pela série do Federal Reserve.

A Selic está em queda, mas ela não controla os juros americanos, que são uma das referências do custo de financiar o país. Com um papel de baixo risco pagando tanto em dólar, o Brasil precisa oferecer mais para atrair o mesmo investidor.

Por que o juro americano pesa no Brasil?

Quando o Brasil se financia em dólar, o investidor parte do rendimento de um Treasury de prazo parecido e cobra um prêmio a mais pelo risco do país. Se o Treasury sobe, a nova captação fica mais cara mesmo que a avaliação sobre o Brasil continue igual.

Uma emissão do Tesouro Nacional em fevereiro mostra a conta. O Brasil captou US$ 3,5 bilhões com um título que vence em 2036, pagando 6,40% ao ano, 2,2 pontos acima do Treasury de referência. O papel com vencimento em 2056 saiu a 7,30%, com prêmio de 2,45 pontos.

As empresas pagam a mesma base e mais um adicional pelo próprio risco de crédito. Com a base mais alta, o financiamento encarece antes de qualquer mudança na avaliação do negócio.

O que o Citi prevê para a Selic?

Um relatório do Citi do início de outubro põe o Brasil entre os latino-americanos mais vulneráveis à alta dos Treasuries, junto com México e Colômbia. Nos três, os juros americanos passam com força para as taxas locais, o câmbio e o custo de financiamento.

No caso brasileiro, o banco soma essa sensibilidade aos desequilíbrios fiscais. Num cenário em que a pressão externa persiste, a Selic poderia subir até 15,50%, segundo o Citi.

Não é uma resposta automática. Se a pressão de fora enfraquecer o real e piorar as expectativas de inflação, sobra menos espaço para cortar os juros básicos.

Para onde o dinheiro está indo?

Desde o início de outubro, investidores puseram quase US$ 14 bilhões em fundos de títulos do governo americano, depois de entradas recordes de US$ 59,3 bilhões no terceiro trimestre, segundo cálculos do Financial Times com dados da EPFR.

Além de fundos conservadores, multimercados, fundos macro globais e até gestoras de ações estão aumentando a posição em Treasuries. John Bell, gestor da Northstar Capital, disse que os títulos voltaram a pagar retorno real positivo, algo raro na última década.

O que isso significa para quem olha para os EUA

Para quem investe ou pensa em investir em dólar, o rendimento acima de 5% num título do governo americano chama atenção, mas tem risco. Quem compra um Treasury longo pode perder dinheiro se precisar vendê-lo antes do vencimento depois de uma nova alta dos juros: a taxa contratada só é garantida para quem fica até o fim.

Entenda em 3 perguntas

Quanto estão pagando os Treasuries?

Em 9 de outubro de 2026, o Treasury de dez anos rendia 5,24% ao ano e o de 30 anos, 5,60%, pela série do Federal Reserve.

Por que isso encarece o financiamento do Brasil?

O investidor usa o Treasury como base e cobra um prêmio a mais pelo risco do Brasil. Com a base mais alta, a captação brasileira em dólar fica mais cara mesmo sem mudança na avaliação do país.

A Selic pode subir por causa disso?

O Citi calcula que, se a pressão externa persistir, a Selic poderia subir até 15,50%. Não é automático: depende de o real enfraquecer e de a inflação esperada piorar.

Fontes

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